Manual de Oslo

O manual de Oslo foi feito pela OCDE – Organização para cooperação e desenvolvimento econômico. Os 30 países mais ricos do globo resolveram se juntar para dizer o que é ou não é inovação.

As vezes, o que achamos ser inovação no Brasil pode não ser nos Estados Unidos, por exemplo.

Mas o Manual serve então como um parâmetro, ele é muito importante por exemplo, quando queremos inovar em nossa empresa, mas para nos beneficiar das leis, precisamos saber se aquilo que estamos fazendo (uma padaria resolve fazer pães integrais por exemplo) é inovação ou não!

Vou tentar ajudá-los com um resumo do Manual então, e abaixo está alguns slides feitos por mim, que servem para aqueles que estão prestando concurso do FINEP por exemplo e não tiverem de ler o Manual na íntegra.

Boa leitura:

DIRETRIZES PARA COLETA E INTERPRETAÇÃO DE DADOS SOBRE INOVAÇÃO
3ª edição

OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, fundada em 1961, “Grupo dos Ricos” – 30 países, representam ½ da riqueza mundial. Proposta: queriam uma fonte confiável de estatísticas comparativas de inovação.

A inovação é central para o crescimento do produto e da produtividade e para o desenvolvimento de políticas de suporte à inovação.

Manual de Oslo (um histórico revelador):

1990  – versão inicial

1991 – discussões e aprimoramentos

1992 – Manual de Oslo  – 1a. edição –  Inovação tecnológica de produto e processo (TPP)

1997 – Manual de Oslo  – 2a. edição –  Expande o tratamento para o setor de serviços

2005 – Manual de Oslo – 3a. edição –  Adiciona a questão da inovação não tecnológica (inovação de marketing e organizacional)

FINEP fez em 2007 a tradução para o português.

Parte I

1 – OBJETIVOS E ESCOPO DO MANUAL

A inovação em serviços é de natureza mais incremental e é menos tecnológica.

O papel da inovação organizacional é melhorar a qualidade e a eficiência do trabalho, refinar a capacidade empresarial de aprender e utilizar conhecimentos e tecnologias.

Inovação em marketing são: recursos para pesquisas de mercado, objetivar novos mercados ou segmentos de mercado, desenvolver novos meios de promover seus produtos, práticas de marketing são também importantes para o sucesso de novos produtos, desenvolvimento de produtos e de processos por meio da inovação conduzida pela demanda.

2. O QUE VALE A PENA MENSURAR?

A implementação de inovações, a interação entre diferentes tipos de inovação, os objetivos e barreiras à inovação.

3. O ESCOPO DO MANUAL

Difusão e grau de novidade, amplitude setorial, a inovação pode ocorrer em qualquer setor da economia. A difusão é o meio pelo qual as inovações se disseminam. Sem difusão uma inovação não tem impacto econômico. Note-se que o Manual não cobre a difusão de uma nova tecnologia para outras divisões ou partes da empresa após sua adoção inicial: por exemplo, a primeira implementação de uma nova tecnologia de produção em uma de cinco fábricas pertencentes a uma mesma empresa é contada como inovação, mas a implementação da mesma tecnologia nas demais quatro fábricas daquela empresa, não é.

4. FORNECENDO DADOS EM ASSUNTOS CHAVE

4.1. Atividades de inovação e despesas – Durante um dado período, as atividades de inovação de uma empresa podem ser de três tipos: – bem-sucedida, por ter resultado na implementação de uma inovação (embora não necessariamente bem-sucedida comercialmente); – em progresso, por ainda não ter resultado na implementação de uma inovação; – abandonada antes da implementação da inovação. As despesas são mensuradas com base na soma desses três tipos de atividades ao longo de um determinado período de tempo.

4.2. Fatores que influenciam a inovação – Obstruídas por diversos fatores: econômicos – custos elevados e deficiências de demanda,  carência de pessoal especializado ou de conhecimentos, e fatores legais – regulações ou regras tributárias. A capacidade que as empresas possuem para apropriar-se dos ganhos provenientes de suas atividades de inovação – se não conseguem proteger suas inovações da imitação de seus competidores, elas terão menos incentivo para inovar.

As empresas inovadoras podem ser divididas: Desenvolveram inovações próprias, Cooperação com outras empresas ou organizações públicas de pesquisa, Por meio da adoção de inovações

5. ALGUMAS QUESTÕES DE PESQUISA

5.1 Existem duas abordagens para a coleta de dados sobre inovações: (i) a abordagem “sujeito” estratégias, incentivos e barreiras à inovação, (ii) a abordagem “objeto” compreende a coleta de dados sobre inovações específicas.

É o sujeito, a empresa, que é importante. A população-alvo para as pesquisas sobre inovação considera unidades estatísticas. As atividades inovadoras efetivam-se em unidades pequenas e médias assim como em grandes unidades. Para apreender as atividades de inovação nas unidades menores, a população-alvo deve inserir, no mínimo, pelo menos dez empregados.

6. A RELAÇÃO ENTRE O MANUAL E OUTROS PADRÕES RELACIONADOS

Mensuração da inovação: recursos direcionados à P&D e estatísticas de patentes.

Alguns outros meios de medir inovação são: geração e adoção de tecnologias da informação e da comunicação (TIC), biotecnologia e gerenciamento do conhecimento.

 

Parte II

TEORIAS DA INOVAÇÃO E NECESSIDADES DE MENSURAÇÃO

O economista Joseph Schumpeter denomina “destruição criadora”. Schumpeter (1934) propôs uma lista de cinco tipos de inovação: (i) novos produtos; (ii) novos métodos de produção; (iii) novos mercados; (iv) novas fontes provedoras de matérias-primas e outros insumos; (v) novas estruturas de mercado em uma indústria.

Inovação em Marketing Mix que se baseia nos “4 Ps” do marketing: produto – mudanças na concepção do produto e em sua embalagem; preço – uso de métodos de fixação de preços; promoção – esforços promocionais realizados pelas empresas para melhorar a imagem ou aumentar o reconhecimento de seus produtos; posicionamento – canais de vendas que as empresas escolhem e como esses canais são estruturados para vender melhor seus produtos.

UMA ESTRUTURA DE MENSURAÇÃO

(i) a empresa pode engajar-se em pesquisa básica ou aplicada;

(ii) a empresa pode desenvolver novos conceitos de produtos ou processos – (a) desenvolvimento e teste; e (b) pesquisas adicionais para modificar desenhos ou funções técnicas;

(iii) a empresa pode identificar novos conceitos: (a) via marketing e relações com os usuários; b) via identificação de oportunidades para comercialização; (c) via suas capacidades de concepção e desenvolvimento de produtos; (d) pelo monitoramento dos competidores; e (d) pela utilização de consultores;

O requisito mínimo para se definir uma inovação é que o produto, o processo, o método de marketing ou organizacional sejam novos (ou significativamente melhorados) para a empresa. Um aspecto geral de uma inovação é que ela deve ter sido implementada. Um produto novo ou melhorado é implementado quando introduzido no mercado

Principal tipo de inovação – bens e serviços. Uma inovação de produto é a introdução de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado. As inovações de produto podem utilizar novos conhecimentos ou tecnologias. Novos usos ou combinações para conhecimentos ou tecnologias existentes. As inovações de produtos no setor de serviços são exemplos as melhorias em serviços bancários via internet.

Principal tipo de inovação – processos. Uma inovação de processo é a implementação de um método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado. Incluem-se mudanças significativas em técnicas, equipamentos e/ou softwares. As inovações de processo podem visar reduzir custos de produção, melhorar a qualidade. São exemplos de novos métodos de produção a introdução de novos equipamentos de automação em uma linha de produção. Os métodos de distribuição dizem respeito à logística. Um exemplo de um novo método de distribuição é a introdução de um sistema de rastreamento de bens por código de barras.

Principal tipo de inovação – marketing. Uma inovação de marketing é a implementação de um novo método de marketing com mudanças significativas na concepção do produto ou em sua embalagem, no posicionamento do produto, em sua promoção ou na fixação de preços. A implementação de um método de marketing que não tenha sido utilizado previamente pela empresa.

Principal tipo de inovação – organizacional. Uma inovação organizacional. Novos métodos para distribuir responsabilidades e poder de decisão entre os empregados na divisão de trabalho. Um exemplo de inovação no local de trabalho é uma maior autonomia na tomada de decisões e os encoraja a contribuir com suas ideias. Novos métodos de integração com fornecedores. Distinção entre os tipos de inovação

A distinção entre inovações de produto e de marketing. A adoção de um novo conceito de marketing que envolve uma mudança substancial no design de um produto existente é uma inovação de marketing mas não uma inovação de produto, à medida que as características funcionais ou de uso do produto não mudaram significativamente. Exemplo: Roupas produzidas com novos tecidos e melhor desempenho (respiráveis, a prova d’água, etc.), por exemplo, são inovações de produto, mas a introdução de um novo formato para roupas voltadas para um novo grupo de consumidores ou para dar ao produto um alto grau de exclusividade, é uma inovação de marketing.

A distinção entre inovações de serviços (produto) e de marketing. Essa distinção pode depender da natureza dos negócios da empresa. Um exemplo é a inovação referente a vendas pela internet. Para uma empresa que produz e vende bens, a primeira introdução do comércio eletrônico é uma inovação de marketing no posicionamento do produto. As empresas que estão em negócios de comércio eletrônico (por exemplo, empresas de “leilão”, estão oferecendo “serviços de vendas”, uma mudança significativa nas características ou nas capacidades de seu web site é uma inovação de produto (serviço).

A distinção entre inovações de processo e inovações organizacionais. Ambos os tipos de inovação procuram – entre outras coisas – reduzir custos por meio de conceitos novos e mais eficientes de produção, distribuição e organização interna. Inovações de processo lidam sobretudo com a implementação de novos equipamentos, softwares, técnicas ou procedimentos. Enquanto as inovações organizacionais lidam primordialmente com pessoas e a organização do trabalho.

Mudanças que não são consideradas inovações: Interromper o uso de um processo – a interrupção de uma atividade não é uma inovação; Simples reposição ou extensão de capital, a compra de equipamentos idênticos aos já instalados ou pequenas extensões e atualizações em equipamentos ou softwares existentes não são inovações; Mudanças resultantes puramente de alterações de preços, a mudança de preço de um produto ou da produtividade de um processo resultante exclusivamente de alterações no preço dos fatores de produção não é uma inovação; Mudanças que não são consideradas inovações; Personalização,  as empresas que produzem sob encomenda fazem itens únicos; Mudanças sazonais regulares e outras mudanças cíclicas Em algumas indústrias como vestuário e calçados há mudanças sazonais nos tipos de bens ou serviços oferecidos; Comercialização de produtos novos ou substancialmente melhorados, a comercialização de produtos novos ou melhorados não é em geral uma inovação de produto para o atacadista, o varejista ou a empresa de transporte e de armazenamento

Grau de novidade e difusão. Três conceitos para a novidade das inovações são discutidos abaixo: nova para a empresa, nova para o mercado, e nova para o mundo. Como já foi observado, o requisito mínimo para se considerar uma inovação é que a mudança introduzida tenha sido nova para a empresa.

CLASSIFICAÇÕES INSTITUCIONAIS

A empresa é em geral a unidade estatística mais apropriada. Uma empresa possui autonomia com relação à tomada de decisão sobre questões financeiras, assim como autoridade e responsabilidade para alocar recursos para a produção de bens e serviços.

As empresas multinacionais (EMs): Visto que as pesquisas sobre inovações são pesquisas nacionais, os dados serão restritos à(s) unidade(s) doméstica(s) da EM. a parcela doméstica da EM representa a unidade estatística a ser incluída; Aas atividades de P&D conduzidas no exterior ou outros conhecimentos novos e tecnologias adquiridos do mercado externo devem ser classificados como “P&D Extramuros” e “Aquisição de conhecimento externo” respectivamente; As inovações desenvolvidas por unidades estrangeiras de uma EM e adotadas pelas unidades domésticas são inovações consideradas novas para a empresa. As inovações desenvolvidas por unidades estrangeiras mas não adotadas pelas unidades domésticas de uma EM não devem ser incluídas.

PANORAMA DA INOVAÇÃO NO BRASIL

Dados ANPEI – Associação Nacional de Pesquisa. Porque as empresas no Brasil não inovam. Os gastos em P&D no Brasil não se modificaram quase de 2000 a 2010. Sendo 4% em produto para mercado brasileiro e 2% para processo em mercado brasileiro. Concessões de patentes (USPTO) – O número de patentes no Brasil foi abaixo de outros países que investiram o mesmo em P&D.

Para acessar o resumo em formato ppt feito por mim acesse o capítulo 1: capitulo 1 manual de oslo (1)

Capítulo de 2 a 4: capitulo 2 A 4 manual de oslo (2)

 

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About Patricia Matsuda

Possui Graduação em Administração Pública pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006). Mestrado (2010) e Doutorado (2015) pelo Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos. Realizou o doutorado sanduíche na University of Manchester - Manchester Business School (06/2013 - 04/2014). Foi Professora Universitária das Faculdades Integradas de São Carlos pelo período de dois anos (2007 - 2009). Foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) desde 2011 até 2014. Participa do Núcleo de Estudos em Sociologia Econômica e das Finanças (NESEFI). Foi Professora da disciplina de Operações, Serviços e Sistemas Produtivos II e orientadora de TCC no curso de Administração na Faculdade Sumaré. Ainda na Faculdade Sumaré foi Professora Conteudista da disciplina de ensino à distância Aplicação e Análise de Casos desde 2014 até 2017. É atualmente Professora da disciplina de Gestão Estratégica da Inovação e Teoria da Inovação e Competitividade para o curso de Administração no Centro Universitário da FEI - Unidade São Bernardo do Campo. Participa ativamente de eventos de Empreendedorismo, criatividade, inovação e startups como: Avaliadora na Bootcamp Final e Demoday do InovAtiva Brasil ; Palestrante na Oficina de criatividade e inovação do FEI Portas Abertas ; Avaliadora no Pitch Fight do Centro Universitário FEI ; Participação da organização do Congresso de Inovação no Centro Universitário FEI; Avaliadora de projetos no evento Inova FEI; Jurada no Startup Weekend edição ABC. Atualmente conduz pesquisas de iniciação científica com alunos do Centro Universitário FEI, com bolsa Pipex, nos seguintes temas: Startup Enxuta, Empresas do Cubo, Análise de ativos intangíveis, Startups abertas, Wenovate, Aceleradoras e Incubadoras de startups.
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16 thoughts on “Manual de Oslo

  1. Patricia, não tem ideia de quanto este material que publicou me ajudou a estudar e entender melhor o manual. Muitooooooooooooo Obrigada.

  2. Patrícia,

    Segunda feira tenho prova, e o conteúdo é o manual de Oslo, você não imagina o quanto me ajudou publicando esses slides, muitíssimo obrigada.

  3. olá, Patrícia! mt bom seu material! vc teria o resumo do capítulo 5 em diante? farei uma prova de mestrado sábado e estou com dificuldade no manual :/

    1. Olá Dani, espero que tenha ido bem na prova do mestrado. Os conceitos estão mais nos primeiros capítulos a partir do capítulo 5 você passa a ter exemplos, aplicações e análises desses conceitos (apresentados nos capítulos de 1 a 4) apresentados.

    1. Olá Luis, agradeço. O Manual de Oslo não tem ligação com educação, ele serve como base para a Lei do bem no Brasil (lei da inovação) e está também em diversos concursos públicos da área de inovação como bibliografia obrigatória.

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