Pesquisa no Movimento 100 open startups

A pesquisa no Movimento 100 Open startups foi feita pelo aluno de iniciação científica Gabriel Palma orientado pela professora Patricia Matsuda, com a bolsa FEI Pipex.

A parceria foi feita com a consultoria Wenovate de Bruno Rondani que nos abriu dados para pesquisa nas 100 startups finalistas do concurso.

A pesquisa é intitulada: “Pipeline de projetos inovadores e seus gates no estudo de caso dos grandes desafios do 100 open startups”.

O aluno descreveu a importância do ecossistema da inovação aberta ao mostrar como empreendedores, grandes empresas, investidores e aceleradoras se conectam através desse concurso para criarem sustentabilidade e responderem as suas próprias necessidades. Relação da qual todos os participantes se beneficiam.

O trabalho foi apresentado no Simpósio SIC FEI, no Angrad e no Congresso do ABC de Medicina.

Segue parte do trabalho:

PIPELINE DE PROJETOS INOVADORES E SEUS GATES NO ESTUDO DE CASO DOS GRANDES DESAFIOS DO 100 OPEN STARTUPS

Autor: Gabriel Tridente Palma

Orientadora: Patricia Matsuda

RESUMO: De acordo com Clark e Wheelwright (1993), uma pipeline ou funil da inovação são ferramentas para selecionar projetos inovadores através de uma abordagem da divisão de processos divididos em fases. Ao observar o controle da qualidade e o envolvimento das etapas de decisão, é possível analisar se o projeto deve ser continuado ou descartado para uma próxima oportunidade. Nesse estudo, objetiva-se verificar a validade dos gates (fases de avaliação) dos Grandes Desafios do 100 Open Startups, o maior concurso de inovação aberta de startups do Brasil (OPEN STARTUPS BLOG, 2016). Foi aplicado uma metodologia de pesquisa quantitativa e o estudo foi feito através do material já coletado pela associação sem fins lucrativos “Wenovate”, empresa do terceiro setor responsável pelo concurso.  Analisou-se os dados dos portões de avaliação do desafio que envolve as startups através da análise de correspondência múltipla, na qual foi necessário utilizar o software SPSS. Para verificar se o modelo matemático condiz com as avaliações feitas pelos avaliadores do concurso. Como resultado, observou-se uma discrepância de 72% nas empresas não selecionadas e 78% nas empresas selecionadas. A presente pesquisa contribui para a construção do conhecimento sobre inovação aberta no Brasil, de forma que ela acaba por conectar empreendedores, investidores e grandes empresas. O resultado dessa experiência é relevante porque os Grandes Desafios do 100 Open Startups é um dos poucos programas de empreendedorismo e inovação no Brasil em operação contínua nos últimos dez anos.

INTRODUÇÃO

O interesse de grandes empresas em startups não é um fenômeno inédito. Nos últimos anos, tem-se observado uma proliferação de concursos de inovação aberta propostos por grandes corporações para se conectarem com startups em seu estágio inicial (OPEN STARTUPS BLOG, 2015).

Startups estão ansiosas em atrair novos recursos e validarem suas ideais, enquanto os empreendedores são suspeitos ao perceberem sobre os riscos de envolvimento precoce com as grandes corporações (OPEN STARTUPS BLOG, 2015).

Com o objetivo de atrair ideias externas como uma maneira fácil de ‘abertura’ de seus processos de inovação, tornou-se cada vez mais comum encontrar grandes corporações que se encontram presentes em concursos de inovação.

O acesso a inovação empresarial e o aumento do número de competições de startups estão naturalmente ligadas em como eles trazem novos recursos para o ecossistema (OPEN STARTUPS BLOG, 2015).

Essa pesquisa teve como objetivo verificar a validade dos gates (fases de avaliação) dos Grandes Desafios do 100 Open Startups, principal concurso de inovação aberta no país.

Nessa pesquisa verificou-se como funcionam as etapas de seleção das startups até chegarem às finais do concurso. Os dados foram fornecidos pela associação sem fins lucrativos Wenovate, associação responsável pelo concurso.

Devido as escolhas para as fases seguintes do desafio serem feitas através de critérios próprios dos avaliadores, procurou-se validar essas escolhas através de análises de correspondência múltipla para saber se o método de avaliação utilizado condiz com os resultados matemáticos.

Realizou-se um estudo de caso sobre os Desafios do 100 Open Startups, a maior competição de inovação aberta de startups, criada para desenvolver, testar e validar novas metodologias sobre como conectar sistematicamente a comunidade de startups às áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) das grandes empresas (OPEN STARTUPS BLOG, 2015).

O concurso possui em seu escopo quatro etapas, a primeira consiste em ser 100% auto eliminatória. Nesta o empreendedor tem a opção de indicar duas pessoas, na qual ambos chegam com duas recomendações para avaliar a ideia, enquanto que a Wenovate garante mais dois avaliadores, sendo que esses dois indicados pela Wenovate devem ser ao menos finalistas dos concursos de anos anteriores e também considerados especialistas para concluir a primeira etapa do concurso.

No entanto, se por algum acaso, o empreendedor não for bem avaliado ou não conseguir as avaliações, ele tem a opção de preencher seus dados com o máximo de detalhes para que assim ele passe para a segunda etapa.

A segunda etapa consiste em avaliações feita por executivos de grandes empresas que são parceiros da Wenovate.

Através da página web do “Open Startups” foi visto que as avaliações são feitas pelos avaliadores em quatro quadrantes (Open Startups Blog, 2016):

  1. Quadrante A: quando a startup traz propostas viáveis que possibilitam a resolução de um problema na sociedade, demonstrando potencial de mercado. A startup neste quadrante já possui clientes e tem uma equipe preparada;
  2. Quadrante B: a startup é escalável, são as empresas que estão no caminho certo, todavia, detém de falhas em alguns pontos específicos que devem ser melhorados;
  3. Quadrante C: uma ideia de negócio que não tem característica de startup. A ideia é viável, mas não demanda investimento propriamente dito, para que estes se tornem bons candidatos é preciso rever alguns conceitos;
  4. Quadrante D: a ideia de negócio não é inovadora, muito menos escalável. São aquelas propostas que não possuem potencial de crescimento e devem ser reestruturadas totalmente para continuar na competição.

 No gate dos Grandes Desafios do 100 Open Startups tem-se o “Open Pitch”, nesta fase, o empreendedor que não foi bem avaliado tem a chance de se apresentar novamente, no entanto nesta etapa ele tem apenas um minuto de apresentação com os investidores de fundos de investimento para que assim, caso for bem avaliado, ele terá os dez minutos de uma nova apresentação. (Open Startups Blog, 2016).

Na última etapa, a quarta do 100 Open Startups é entendido como uma renovação acerca do interesse das empresas para startups, nesta etapa as empresas e investidores reforçam a ideia sobre a necessidade de a startup estar entre as 100 maiores do país. A rede (empresas e investidores) na sua maioria é aquela que seleciona as startups. (Open Startups Blog, 2016).

Através dos dados fornecidos pela Wenovate, observou-se que as startups que possuem algum faturamento anual e que estão estabelecidas no mercado a mais de um ano, mas também, além disso, já possuem clientes e estão acomodadas em algum local, tal como algum imóvel ou espaço alugado, são aquelas que têm preferência para serem mais bem avaliadas pelos empresários e investidores. (Open Startups Blog, 2016).

Dessa forma o concurso contribuiu na obtenção de benefícios na interação das grandes empresas e startups não apenas como potenciais clientes, mas sim, também ver a startup como potenciais parceiros e fontes de conhecimento e recursos. (Open Startups Blog, 2016).

INOVAÇÃO ABERTA

Para melhor conceituar este tipo de estratégia de inovação aberta, é importante entender também o que significa os conceitos de inovação fechada. A inovação fechada é um paradigma corrente na vida das empresas, na qual acaba se tornando parte do mundo sistemático por ela vivida, este tipo de estratégia é aquele que acontece dentro do ambiente interno das empresas, sem haver contato com o ambiente externo e ficando assim limitado a alta gerência das companhias (CHESBROUGH, 2003).

De acordo com Gassmann et al. (2010), quando o estudo se aprofunda nessas tendências apresentadas, pode-se confirmar que essa inovação tem grandes chances de se manter como perpétua, devido a grande quantidade de fenômenos e sua capacidade de interação e adaptação em diferentes cenários econômicos e sociais.

Chesbrough (2003), fala sobre a abertura de novos caminhos acerca de P&D e como realmente as empresas estão inovando.

Em um mundo de abundante conhecimento, nem todas as pessoas inteligentes trabalham para você. A próxima grande ideia pode derivar de uma startup ou de um pesquisador que trabalha com o competidor. Para muitas empresas em negócios inovadores, a resposta a essas ameaças tem sido em traçar de modo justo os vagões, compartilhar os esforços de suas pesquisas e desenvolvimento para manter longe seus concorrentes de possivelmente roubar suas ideias. (CHESBROUGH, 2003).

PIPELINE DO DESENVOLVIMENTO DAS STARTUPS PARA SE CHEGAR À FINAL

Para que o empreendedor consiga ultrapassar algumas etapas de desenvolvimento da startup e para acelerar os processos de alavancagem ele pode optar por fazer o usufruto de pipelines e se autodesenvolver nos concursos de empreendedorismo existentes no mercado, tal como o “Desafio Brasil” que está sendo usado como foco central nessa pesquisa.

Sendo assim, o que é um pipeline? Trata-se de uma cadeia de valores que atua através de metodologias para se atravessar do nível das ideias para o ato prático, ou seja, cria-se uma ideia, e no processo da ideia até a fase de colocá-la em prática (GOMES, 2003).

De acordo com Clark e Wheelwright (1993), o funil é formado por cinco elementos. Na boca ou entrada do funil, estão as propostas de inovação ou ideias a serem avaliadas. No outro extremo estão os projetos aceitos para o mercado. Dentro do funil há três sessões-chave, durante a execução do funil, os projetos podem ser reprovados e consequentemente interrompidos em qualquer um dos gates (portões de avaliação

Clark e Wheelwright (1993) ressaltam que a utilização do funil auxilia para selecionar projetos de produtos que serão lançados no mercado dentro de uma empresa. Essa ferramenta é muito importante, pois é usada para focar nas principais ideias que valem a pena o risco de serem investidas.

Nessa presente pesquisa se aplicou esse conceito de pipeline para observar as fases eliminatórias do concurso “Desafio Brasil”.

RESULTADOS DA PESQUISA

Na análise com o banco de dados por inteiro, dos 974 casos da amostra, o melhor modelo acertou 635 das empresas que não estavam no grupo das “100 Open Startups” e 78 do grupo das “100 Open Startups”, ou seja, houve 73% de acerto.

No quadro das startups que não foram selecionadas, ou melhor, aquelas 874 startups, foram 974 startups subtraindo as 100 que constavam na base das “100 Open Startups”.

Para as startups enquadradas como “SIM” houve um acerto de 78%.

Portanto, o que houve foi, o modelo que diz quem pertence ao cluster 1 ou 2, acertou 713 dos 924 startups, e errou 261. Na qual 239 startups que foram não selecionáveis. O que o modelo disse que sim, essas poderiam ter sido selecionadas. O modelo selecionou 239 startups além das 100 e houve 22 startups que poderiam ter sido selecionadas, mas com a análise, o modelo SPSS determinou que não há um padrão para que as startups serem selecionadas pelos avaliadores.

No entanto, a quantidade menor é porque a quantidade de startups que são selecionáveis é menor, em vista disso, 22% de 100 e houve o resultado de 27%. Em escala global de acertos, houve 73% de acerto.

O movimento 100 Open Startups é um meio ambiente rentável para conectar startups, empreendedores à grandes empresas multinacionais que inovam no mercado, viu-se que é feito uma avaliação, entre todas as startups inscritas para mensurar as 100 maiores Open Startups, ou seja, as startups que aderem ao tipo de estratégia da inovação aberta e que além disso, se mostram aptas a geração sustentável de lucro e perpetuidade no meio de todo o cenário incerto que caracteriza esse tipo de empresa. (OPEN STARTUPS BLOG, 2016).

O processo de avaliação que as startups passam nesse movimento é melhor representado por uma pipeline (ou funil da inovação), pois para que a startups se enquadre entre as 100 Open Startups, ela passa por diversas etapas, sendo essas auto eliminatórias, mas também avaliada por avaliadores do programa. (OPEN STARTUPS BLOG, 2016).

Este tipo de avaliação é feito a partir de critérios próprios, definido pelos avaliadores desse desafio, não obstante, quando feito a analise entre as duas bases de dados (base 100 Open Startups e base de total de inscritos), foi possível chegar ao resultado na qual o modelo matemático acertou de forma clara e efetiva 72% de todas as startups inscritas no programa que não foram selecionadas para a final do movimento 100 Open Startups, o mesmo modelo concluiu com êxito e acertou 78% entre as 100 empresas que chegaram à final da 100 Open Startups que por sua vez foram selecionadas e avaliadas pelos avaliadores do concurso.

Apesar de não saber critérios próprios usados pelos avaliadores do concurso, é um fato que a tomada de decisão não está sendo feita de forma subjetiva. Há sim espaço para melhorias, assim como a inovação e todas as mudanças necessitam de melhorias.

A melhoria contínua quando se trata de processos, avaliações, meritocracia e a própria inovação deve ser sempre observado de perto.

PRINCIPAIS REFERÊNCIAS

 100 OPEN STARTUPS. Movimento Open Startups. São Paulo, 2015. Disponível em: <http://www.openstartups.org.br/db/>. Acesso em: 05 Mar 2016.

 CHESBROUGH, H. W. Open innovation: The new imperative for creating and profiting from technology. New York, Harvard Business Press, 2006.

CLARK, K. B.; WHEELWRIGHT, S. C. Managing new product and process development: text and cases. New York: The Free Press, 1993.

 RONDANI, B. Movimento 100 Open Startups. São Paulo, 2014. Disponível em: <http://www.openstartups.org.br/blog/>. Acesso em: 05 Mar 2016.

 

 

About Patricia Matsuda

Possui Graduação em Administração Pública pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006). Mestrado (2010) e Doutorado (2015) pelo Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos. Realizou o doutorado sanduíche na University of Manchester - Manchester Business School (06/2013 - 04/2014). Foi Professora Universitária das Faculdades Integradas de São Carlos pelo período de dois anos (2007 - 2009). Foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) desde 2011 até 2014. Participa do Núcleo de Estudos em Sociologia Econômica e das Finanças (NESEFI). Foi Professora da disciplina de Operações, Serviços e Sistemas Produtivos II e orientadora de TCC no curso de Administração na Faculdade Sumaré. Ainda na Faculdade Sumaré foi Professora Conteudista da disciplina de ensino à distância Aplicação e Análise de Casos desde 2014 até 2017. É atualmente Professora da disciplina de Gestão Estratégica da Inovação e Teoria da Inovação e Competitividade para o curso de Administração no Centro Universitário da FEI - Unidade São Bernardo do Campo. Participa ativamente de eventos de Empreendedorismo, criatividade, inovação e startups como: Avaliadora na Bootcamp Final e Demoday do InovAtiva Brasil ; Palestrante na Oficina de criatividade e inovação do FEI Portas Abertas ; Avaliadora no Pitch Fight do Centro Universitário FEI ; Participação da organização do Congresso de Inovação no Centro Universitário FEI; Avaliadora de projetos no evento Inova FEI; Jurada no Startup Weekend edição ABC. Atualmente conduz pesquisas de iniciação científica com alunos do Centro Universitário FEI, com bolsa Pipex, nos seguintes temas: Startup Enxuta, Empresas do Cubo, Análise de ativos intangíveis, Startups abertas, Wenovate, Aceleradoras e Incubadoras de startups.
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