Futuro será desafiador para startups e empreendedores

 

Futuro será desafiador para startups e empreendedores

Empreender é uma tendência que veio para ficar e, nessa perspectiva, as startups – caracterizadas por serem um modelo de negócio com baixo custo e alta potencialidade de crescimento – costumam sair na frente de empresas tradicionais, seja pela cultura mais flexível ou pela coragem de arriscar. Esse mercado que conecta pessoas, serviços e produtos está modificando os mais diversos setores e fazendo com que grandes e tradicionais organizações reconsiderem suas estratégias. Considerando os avanços tecnológicos e as mudanças para a nova ordem mundial do mercado de trabalho, startups vêm ganhando vantagens por serem mais ágeis e menos processuais, pois conseguem atrair jovens talentos – da chamada geração Y ou millenials, nascidos nos anos 1980, e da geração X, dos anos  –, ao oferecerem o desafio de pensar em novos formatos para atender à economia de forma inovadora e disruptiva.

Dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) indicam que, atualmente, o Brasil possui aproximadamente 10 mil empresas exponenciais, 30% delas em São Paulo, movimentando bilhões de dólares. “Esse cenário evidencia um crescimento para as organizações exponenciais, cujo sucesso dependerá do perfil de seus empreendedores, o que inclui liderança, senso analítico, interdisciplinaridade, habilidades digitais, coragem de correr riscos, ser autogerenciável, saber lidar com os altos e baixos do mercado e, acima de tudo, ter consciência global das habilidades técnicas e empreendedoras”, enumera a professora doutora Patrícia Mari Matsuda, docente do Departamento de Administração da FEI. Firmando sua contribuição para o ecossistema de startups emergentes, no primeiro trimestre de 2018 algumas empresas brasileiras, como 99, PagSeguro e Nubank, alcançaram o status de unicórnios – empresas que valem mais de US$ 1 bilhão. O amadurecimento dos modelos de negócios e a capacidade de oferecer inovações que suprem as demandas da nova sociedade de consumo são os principais fatores para o sucesso dessas e de outras empresas.

Para a professora da FEI, dentro do conceito de startup enxuta não se pode pensar de forma linear quando o objetivo é um mundo exponencial. Ao trabalhar metodologias ativas é preciso construir, medir e (aprender). O sucesso será atingido ao passar por todos os estágios da jornada exponencial de uma nova tecnologia digital, denominados de 6Ds: Digitalização, Decepção (a tecnologia está avançando, mas ainda não está sendo amplamente utilizada), Disrupção, Demonetização, Desmaterialização e Democratização. “A formulação geração e seleção de ideias resultarão em um modelo de negócio com funcionalidade, adaptável, bem definido e com um propósito massivo transformador. Empreender é imaginar e realizar”, argumenta. Apesar dos cases de sucesso, há um processo de depuração em andamento cujo crescimento dependerá de fatores como evolução da economia, melhora no ambiente de negócios do País e o próprio sucesso das startups em desenvolvimento. O presidente da Angrad, Taiguara Langrafe, observa que, atualmente, nem sempre as boas ideias são tão boas assim, tendo em vista a alta taxa de mortalidade e insucesso de startups, e a falta de foco, principalmente nos primeiros meses de fundação, elimina qualquer chance de sucesso. Ainda que deseje desbravar áreas mais disputadas, é essencial que o empreendedor encontre o nicho mais adequado para, em seguida, dar continuidade ao negócio. Soma-se ao insucesso a falta de planejamento financeiro, produtos pouco criativos, sócios sem sintonia e despreparo da equipe.

 

Flexibilidade – Com o avanço das tecnologias, das ferramentas digitais e com a possibilidade de uma empresa não ter sede física, cria-se um novo mercado em que o profissional não precisa estar dentro da empresa e pode trabalhar remotamente com mais flexibilidade, por meio de home office ou coworking. Inspirado pela cultura participativa, que conecta um grupo de pessoas a pequenas empresas construindo uma economia baseada em criatividade e inovação, o coworking tem sido a primeira opção para os empreendedores, especialmente os jovens. “Quando uma ideia é desenvolvida não pode se fechar em uma sala, portanto, esses ambientes são propícios porque possibilitam contato com possíveis investidores, parceiros chaves e clientes. Estar dentro de um ecossistema favorável para gerar inovação é fantástico”, avalia a professora Patrícia Mari Matsuda. Atualmente, há uma pluralização do perfil desses espaços – 1.194 são conhecidos em todo o País –, que podem ter de 50 a 5 mil m2 de área, com diferentes tipos de estrutura, serviços e funcionalidade, e dando forma e vida a muitas organizações exponenciais e a novas frentes de trabalho.

About Patricia Matsuda

Possui Graduação em Administração Pública pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006). Mestrado (2010) e Doutorado (2015) pelo Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos. Realizou o doutorado sanduíche na University of Manchester - Manchester Business School (06/2013 - 04/2014). Foi Professora Universitária das Faculdades Integradas de São Carlos pelo período de dois anos (2007 - 2009). Foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) desde 2011 até 2014. Participa do Núcleo de Estudos em Sociologia Econômica e das Finanças (NESEFI). Foi Professora da disciplina de Operações, Serviços e Sistemas Produtivos II e orientadora de TCC no curso de Administração na Faculdade Sumaré. Ainda na Faculdade Sumaré foi Professora Conteudista da disciplina de ensino à distância Aplicação e Análise de Casos desde 2014 até 2017. É atualmente Professora da disciplina de Gestão Estratégica da Inovação e Teoria da Inovação e Competitividade para o curso de Administração no Centro Universitário da FEI - Unidade São Bernardo do Campo. Participa ativamente de eventos de Empreendedorismo, criatividade, inovação e startups como: Avaliadora na Bootcamp Final e Demoday do InovAtiva Brasil ; Palestrante na Oficina de criatividade e inovação do FEI Portas Abertas ; Avaliadora no Pitch Fight do Centro Universitário FEI ; Participação da organização do Congresso de Inovação no Centro Universitário FEI; Avaliadora de projetos no evento Inova FEI; Jurada no Startup Weekend edição ABC. Atualmente conduz pesquisas de iniciação científica com alunos do Centro Universitário FEI, com bolsa Pipex, nos seguintes temas: Startup Enxuta, Empresas do Cubo, Análise de ativos intangíveis, Startups abertas, Wenovate, Aceleradoras e Incubadoras de startups.
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