Plano de ensino de Teoria da inovação

Olá bem vindo ao site, sou professora de inovação no Centro Universitário FEI e gostaria de compartilhar minhas aulas, pesquisas e matérias recentes sobre o tema de inovação com vocês!

Em um primeiro momento, durante o período de um semestre eu leciono sobre a Teoria da Inovação, na FEI se trabalha por competências.

O aluno deve compreender o conceito de inovação tecnológica para o desenvolvimento dessa atividade para o desenvolvimento econômico das organizações e, sobretudo, das nações.

Também reconhecer a relevância da inovação tecnológica e da gestão para as empresas no contexto altamente competitivo do mundo globalizado, bem como conhecer as técnicas e instrumentos para o gerenciamento da inovação e da competitividade.

Conhecer conceitos da interface entre criatividade e inovação, saber os tipos e abordagens de inovação, modelos lineares e interativos de inovação e entender os conceitos de funil de inovação.

Nesse curso ainda se aprende sobre as tecnologias emergentes e as políticas públicas de ciência e tecnologia. Se reconhece as redes de inovação, tríplice hélice e a interação universidade-empresa, assim como se olha para os ambientes institucionais favoráveis para a inovação (incubadoras, parques de ciência e tecnologia) e inovação aberta.

Na competência saber fazer, o aluno aprende a executar atividades de desbloqueio da criatividade para geração da inovação e utilizar ferramentas da inovação para geração de ideias. Empregar o uso do Manual de Orientações Gerais e o Manual de Oslo sobre inovação à seu favor. Identificar tipos e graus diferentes de inovação para cada modelo de negócio. Identificar fontes de inovação na empresa. Realizar testes para validação de ideias, hipóteses e modelos de negócios através da criação de produtos mínimos viáveis. Empregar o uso da inovação aberta através da participação em concursos de inovação. Aplicar o conhecimento em redes de inovação, triple hélix e a interação universidade empresa em ambientes institucionais favoráveis para a inovação (incubadoras, parques de ciência e tecnologia).

Programa de Ensino do Componente Curricular:

INTRODUÇÃO

Apresentação do programa e do seu funcionamento.

Discussão: a importância da inovação para o desenvolvimento econômico

Introdução: Manual de orientações gerais sobre inovação – Ministério das relações exteriores

MÓDULO 1: Recuperando alguns elementos históricos fundamentais

O Módulo 1 tem por proposta fazer uma recuperação histórica sobre o papel que a ciência e a tecnologia exerceram no desenvolvimento do capitalismo industrial, sobretudo a partir da 1ª Revolução Industrial. O esgotamento das possibilidades tecnológicas desse período abre espaço para a emergência da 2ª Revolução Industrial, caracterizada pelo surgimento de novas indústrias intensivas em conhecimento científico e das grandes empresas capitalistas. Por fim, segue-se o período das Duas Grandes Guerras Mundiais, em que a ciência e a tecnologia passam a ser apropriadas pelo Estado, assumindo papel estratégico na definição das políticas nacionais.

Nesse Módulo 1 se introduz o conceito de inovação, tipos e abordagens de inovação, utilizando-se de conceitos de geração de ideias e criatividade. Discute-se sobre ferramentas de seleção das melhores ideias através do Pipeline ou Funil da inovação, como também se avança no estudo do Stage-gates, dessa forma, ilustra-se como funciona a seleção das melhores ideias através de etapas de avaliação.

1.1) A 1ª Revolução Industrial e a transição ao capitalismo industrial

1.2)A 2ª Revolução Industrial e a emergência das indústrias baseadas na ciência

1.3) A incorporação da ciência pelo Estado: a era da Big Science e das grandes corporações

1.4) Introdução do conceito de Inovação seus tipos e abordagens

1.5) Ferramentas para geração de ideias e criatividade (5W1H, Brainstorm,Brainwritten, Design Thinking)

1.6) Ferramentas para seleção das melhores ideias (Stage-gate e Funil da inovação)

MÓDULO 2: Inovação e desenvolvimento econômico

O Módulo 2 avança na discussão sobre a importância da Inovação para o desenvolvimento econômico, e busca as origens desse debate para justificar esses argumentos. Com uma abordagem que começa em Schumpeter, são apresentados e discutidos os conceitos de inovação, de invenção e de destruição criativa, para então avançar no debate mais recente, proposto pelos neo-schumpeterianos (também conhecidos como economia evolucionária), que trazem uma melhor compreensão acerca do papel das inovações no desenvolvimento das economias contemporâneas.

Abordagem sobre a mudança histórica do modelo linear de inovação para o modelo interativo, influenciada pela demanda e pelo mercado.

2.1) O conceito de inovação em Schumpeter

– Os tipos de inovação em Schumpeter

– Inovação e Invenção

– Destruição criativa

2.2) Inovação e os neo- schumpeterianos

2.3) Modelo Linear e Interativo de inovação

MÓDULO 3: Indicadores de inovação e  Inovação no Brasil: Análise das performances da empresas

Uma vez reconhecido o papel que a Ciência, a Tecnologia e a Inovação (CT&I) exercem no desenvolvimento das economias de forma geral, torna-se necessário definir instrumentos que ajudem a mensurar esse tipo de atividade.  Esse é um dos propósitos do Módulo 3, ao apresentar um conjunto de indicadores internacionalmente aceitos no sentido de compreender e monitorar os processos de produção, difusão e uso do conhecimento, de tecnologias e de inovações científicas e tecnológicas. Particular atenção será dada ao Manual de Oslo, o qual traz uma abordagem ampla relativa ao conceito de inovação tecnológica, não necessariamente restrito às tecnologias “hard” ou técnicas, mas sim englobando o universo da Administração, tais como a organização do trabalho e as práticas de marketing, entre outras. A contribuição desse Módulo também se dá no sentido de analisar o comportamento desses indicadores vis-à-vis o caso brasileiro. Trata-se de discutir e analisar os padrões de comportamento e a natureza das trajetórias de inovação no Brasil.

3.1) Manual de Oslo: conceitos para mensurar a Inovação tecnológica

3.2) Manual Frascatti: indicadores de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)

3.3) Manual de Canberra: indicadores de recursos humanos em C&T

3.4) Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil: pesquisa PINTEC/ IBGE.

3.5) Padrões de comportamento de empresas no Brasil

MÓDULO 4: Inovação e Estado

Por sua vez, o Módulo 4, que encerra essa disciplina, aborda o papel do Estado na formulação de políticas de C&T. Trata-se aqui de pensar as abordagens ligadas aos Sistemas Nacionais e Locais de Inovação que, no caso brasileiro, tem se mostrado incompleto e repleto de assimetrias, caso seja feito o confronto com as experiências de países como EUA e Coréia.  O debate sobre a Triple Hélix, voltada às interações entre Universidade-Empresas-Governo é então apresentado como uma das estratégias para se alcançar uma melhor performance econômica. Essa disciplina se encerra a partir de uma discussão acerca das políticas existentes, no âmbito governamental/ estadual brasileiros, voltadas ao estímulo à inovação em organizações. Por exemplo, Fundos Setoriais, Lei do Bem; Lei da Inovação, etc. Órgãos como Finep e as FAPs (com especial ênfase à FAPESP) e as suas iniciativas no que tange a essa questão, serão objeto de discussão entre os alunos.

4.1) O conceito de Sistemas Nacionais (SNI) e Regionais (APL) de Inovação

4.2) A proposta da Triple Hélice

4.3) Políticas Governamentais de estímulo à inovação: Fundos Setoriais, Lei do Bem; Lei da Inovação

4.4) Instrumentos e mecanismos públicos de fomento à inovação (BNDES, CNPq, FINEP, FAPs dos Estados, etc.)

Referências Básicas:

Tigre, P. (2007) Capítulo 1-8 in: Gestão da inovação: A economia da inovação no Brasil. Editora Campus.

Gavira, M; Ferro, A; Quadros Carvalho, R. Gestão da Inovação Tecnológica uma Análise da Aplicação do Funil de Inovação em uma Organização de Bens de Consumo (2008) Revista Mackenzie.

PESSALI, H.F.; FERNÁNDEZ R.G. (2006) Inovação e Teorias da firmas in: Pelaez, Szmrecsányi (org.) Economia da inovação Tecnológica. São Paulo: Editora Hucitec. pp 301-332.

SCHUMPETER, J. A. (1982) Teoria do desenvolvimento econômico. São Paulo: Abril Cultural. (Série Os economistas).

GANZER, P. P. ; BIEGELMEYER, U. H. ; CRACO, T. ; CAMARGO, M. E. ; OLEA, Pelayo Munhoz ; DORION, E. C. H. . Modelo de Processo Tecnológico:Uma Descrição Histórica de Modelo Linear para Modelo Interativo. In: XIII Mostra de Iniciação Científica, Pós Graduação, Pesquisa e Extensão, 2013, Caxias do Sul. Modelo de Processo Tecnológico:Uma Descrição Histórica de Modelo Linear para Modelo Interativo, 2013. v. 1. p. 1-13.

MANUAL DE ORIENTAÇÕES GERAIS SOBRE INOVAÇÃO. Disponível em: http://redsang.ial.sp.gov.br/site/docs_leis/pd/pd9.pdf

MANUAL DE OSLO. Disponível em: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/4639.html

LEYDESDORFF, L.; ETZKOWITZ, H. (1998) The Triple Helix as a Model for Innovation Studies (Conference Report), Science & Public Policy  Vol. 25(3) (1998) 195-203.

Referências Complementares:

THE ECONOMIST (1999) A Survey of Innovation in Industry. The Economist, 20 de fevereiro. (reeditado em português: Levantamento: a inovação na indústria. Revista Parcerias Estratégicas, nº8, maio de 2000). pp.307-311 http://ftp.unb.br/pub/unb/ipr/rel/parcerias/2000/1771.pdf

MANUAL FRASCATTI. Disponível em: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/4639.html

MANUAL CANBERRA. Disponível em: http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/4639.html

Lei do Bem (nº 11.196/2005), Lei de Inovação (nº 10.973/2004), Lei do FNDCT (nº 11.540/1007).

RIES, E., A Startup Enxuta. 1ª ed. São Paulo: Leya, 201

About Patricia Matsuda

Possui Graduação em Administração Pública pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006). Mestrado (2010) e Doutorado (2015) pelo Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos. Realizou o doutorado sanduíche na University of Manchester - Manchester Business School (06/2013 - 04/2014). Foi Professora Universitária das Faculdades Integradas de São Carlos pelo período de dois anos (2007 - 2009). Foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) desde 2011 até 2014. Participa do Núcleo de Estudos em Sociologia Econômica e das Finanças (NESEFI). Foi Professora da disciplina de Operações, Serviços e Sistemas Produtivos II e orientadora de TCC no curso de Administração na Faculdade Sumaré. Ainda na Faculdade Sumaré foi Professora Conteudista da disciplina de ensino à distância Aplicação e Análise de Casos desde 2014 até 2017. É atualmente Professora da disciplina de Gestão Estratégica da Inovação e Teoria da Inovação e Competitividade para o curso de Administração no Centro Universitário da FEI - Unidade São Bernardo do Campo. Participa ativamente de eventos de Empreendedorismo, criatividade, inovação e startups como: Avaliadora na Bootcamp Final e Demoday do InovAtiva Brasil ; Palestrante na Oficina de criatividade e inovação do FEI Portas Abertas ; Avaliadora no Pitch Fight do Centro Universitário FEI ; Participação da organização do Congresso de Inovação no Centro Universitário FEI; Avaliadora de projetos no evento Inova FEI; Jurada no Startup Weekend edição ABC. Atualmente conduz pesquisas de iniciação científica com alunos do Centro Universitário FEI, com bolsa Pipex, nos seguintes temas: Startup Enxuta, Empresas do Cubo, Análise de ativos intangíveis, Startups abertas, Wenovate, Aceleradoras e Incubadoras de startups.
View all posts by Patricia Matsuda →

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *